Tragédia no Cacém: motorista poderá responder por homicídio por negligência após atropelamento mortal

Condutora da Carris Metropolitana assumiu uma falha logo após o acidente, mas investigação da Polícia Judiciária ainda decorre para apurar todas as circunstâncias
Prosseguem as investigações ao grave atropelamento ocorrido junto à estação ferroviária de Agualva-Cacém, no concelho de Sintra, que provocou a morte de duas mulheres e deixou ainda 22 pessoas feridas. O acidente, que abalou o país, aconteceu quando um autocarro da Carris Metropolitana entrou descontrolado na zona de paragem, atingindo várias pessoas que aguardavam transporte público. As vítimas mortais são uma jovem de 18 anos, de nacionalidade cabo-verdiana, e uma mulher portuguesa de 60 anos.
A condutora do autocarro, de 28 anos, encontrava-se ao serviço há poucos minutos quando ocorreu a tragédia. Em estado de choque, recebeu assistência médica e apoio psicológico no local, sendo posteriormente transportada para o hospital. Segundo informações conhecidas, a motorista terá explicado às autoridades, ainda antes de abandonar o local, que o acidente aconteceu quando estaria a alterar o número apresentado no letreiro eletrónico do veículo.
Apesar dessa declaração inicial, a condutora ainda não foi formalmente ouvida pela Polícia Judiciária, que assumiu a investigação do caso. Os inspetores procuram agora apurar, com recurso a perícias técnicas, testemunhos e eventuais imagens de videovigilância, se existiram outros fatores que possam ter contribuído para o acidente, incluindo eventuais falhas mecânicas ou operacionais.
De acordo com as informações divulgadas, a motorista possui vários anos de experiência na condução profissional de veículos pesados de passageiros, tendo trabalhado anteriormente noutras empresas antes de integrar a operação da Carris Metropolitana há vários meses. O seu percurso profissional será também analisado no âmbito da investigação para compreender todas as circunstâncias que antecederam o acidente.
Caso se conclua que a tragédia resultou exclusivamente de erro humano, a condutora poderá vir a ser constituída arguida e responder judicialmente por um eventual crime de homicídio por negligência. No entanto, qualquer decisão dependerá das conclusões finais da investigação conduzida pela Polícia Judiciária e do Ministério Público, que continuam a reunir provas para esclarecer em definitivo as causas daquele que é um dos acidentes rodoviários mais graves registados este ano em Portugal.







